Como contar a sua história profissional com segurança e estratégia
Tempo de leitura: 7 min
Você tem dificuldade para contar sua história profissional?
Quando alguém te pede para se apresentar ou falar sobre a sua carreira, você trava ou sente um nó na garganta?
Atendo diariamente pessoas que não conseguem explicar o que fizeram até aqui, seja em entrevistas, currículos ou até em conversas simples. E isso não tem a ver com técnica, e sim com autoconhecimento e reconhecimento da própria trajetória.
Muita gente trava nesse momento não por falta de currículo, mas por não saber como transformar experiências em uma narrativa com sentido e propósito, em uma história bem contada.
Neste artigo, você vai entender por que isso acontece, como reconhecer suas próprias histórias e um passo a passo para contar sua trajetória profissional com mais clareza.
Por que é tão difícil falar sobre si mesmo?
Eu tenho atendido muitas pessoas que reclamam de não saberem explicar no currículo ou nas entrevistas o que fizeram até aqui. E não é por desconhecerem currículos ou entrevistas, mas sim porque não sabem falar sobre elas próprias. Muitos adultos, mesmo com anos de experiência, ainda derrapam na tarefa de narrar suas próprias histórias porque ainda carregam um problema da adolescência. E eu vou explicar como isso acontece.
Eu acompanho inúmeros adolescentes que estão saindo do Ensino Médio, no momento de escolher a profissão. Poucos são realmente comunicativos. Na maioria das vezes, a história se desenrola como a desse garoto:
Ele chegou para o processo de Orientação Profissional com um bloqueio evidente. Quando pedi que falasse um pouco sobre a vida e suas experiências, o silêncio foi ensurdecedor. Na chamada de vídeo, ele desviava o olhar, se mexia desconfortavelmente, e depois de algum tempo soltou algumas frases curtas: "Não faço nada demais… Sei lá. Minha vida é normal."
Como assim "não faço nada demais", eu pensei: Dezessete anos sem fazer nada demais?
Durante as sessões seguintes, começamos a explorar com calma alguns momentos importantes: sua participação em um campeonato escolar, o tempo em que cuidou dos irmãos mais novos quando os pais estavam sobrecarregados, a vez em que liderou um projeto na escola. Aos poucos, ele começou a perceber que tinha sim muitas histórias pra contar. Histórias que ele não enxergava, porque nunca tinha parado pra realmente listar essas histórias, nunca tinha parado pra realmente refletir sobre essas vivências, nunca tinha parado pra realmente atribuir significados a elas.
O mais interessante foi perceber que, à medida que ele se lembrava desses episódios, sua postura mudava. Ele falava com mais segurança, reconhecia suas conquistas, chegava nas nossas conversas com novidades e se sentia capaz de enfrentar novos desafios.
Essa é a força do autoconhecimento e do reconhecimento da nossa jornada: quando nos apropriamos das nossas experiências, nos tornamos mais conscientes de quem somos, de onde viemos e pra onde queremos ir.
Recentemente, uma mulher que eu acompanhava falou da dificuldade de preencher o currículo dela assim: "Você acredita que eu não lembro quais atividades eu fazia nos meus trabalhos anteriores? Tive que sair pesquisando coisas antigas nos meus emails, e até o ChatGPT teve que me ajudar a lembrar que tipo de coisa é feita naquelas funções."
Não é amnésia. É falta de experiência na costura dos acontecimentos. E, por mais estranho que pareça, essa falta de habilidade em costurar as próprias experiências é algo que a maioria das pessoas vem praticando desde o início da vida. E isso vai se estendendo pelo caminho, sem que você fale com outras pessoas sobre as conquistas que você teve, ou sobre os desafios que venceu. Sem que você fale com você mesmo sobre essas coisas.
Muitas vezes, o silêncio sobre a própria trajetória vem da crença de que nossas vivências não são "grandes o suficiente" ou "dignas de destaque". Mas o que constrói uma trajetória profissional (e uma trajetória de vida) não são apenas grandes eventos. São as pequenas decisões, as aprendizagens acumuladas e os desafios vencidos ao longo do caminho.
Essa dificuldade em reconhecer e contar sobre a própria trajetória não aparece em casos isolados. Ela se repete em adolescentes, adultos em transição e profissionais experientes. Ao longo de milhares de atendimentos em Orientação Profissional, esse padrão apareceu com força: pessoas com histórias ricas, mas sem repertório para enxergar o valor do que viveram.
O poder de reconhecer suas próprias experiências
Contar a sua história é um exercício de mergulho interno, de reflexão e reconhecimento. Você começa a conectar os pontos e percebe padrões, habilidades e valores que te definem. Isso não só te ajuda em entrevistas ou apresentações, mas também te permite fazer escolhas no futuro com a maravilhosa sensação de que aquela é uma escolha consciente.
Como começar a contar a sua história profissional?
💡 Experimente este passo a passo:
- Liste suas experiências: trabalhos, projetos, estudos, conquistas pessoais.
- Anote o que aprendeu em cada uma (pelo menos uma lição valiosa em cada).
- Identifique padrões: o que se repete? o que te motivou naquela situação?
- Dê significado: como essas vivências moldaram quem você é hoje?
- Pratique contar em voz alta (para um amigo, familiar ou orientador profissional).
Esse exercício de reconhecimento não costuma acontecer sozinho. Ele exige tempo, escuta e perguntas bem colocadas. Em um
processo de Orientação Profissional, esse trabalho de resgatar, nomear e integrar a própria história é feito de forma estruturada, respeitando o ritmo e o momento de cada pessoa.
Se eu puder deixar uma última orientação: não subestime as suas experiências. Faça o exercício de olhar pra sua trajetória, resgatar as suas conquistas, dar nome a elas e verbalizá-las. O silêncio pode ser confortável por ser familiar, mas contar a nossa própria história é que é transformador.
Se quiser contar com o nosso apoio e orientação pra desenvolver sua capacidade de contar a sua história profissional com segurança e estratégia, entre em contato conosco no link e 👉 Saiba mais sobre o processo de Orientação Profissional do Instituto Viae.

Isis Graziele da Silva | CRP 06/142189
Psicóloga especialista em carreira, orientadora profissional e co-fundadora do Instituto Viae. Já acompanhou milhares de pessoas em suas escolhas profissionais e criou inúmeras ferramentas reconhecidas por unir sensibilidade e estrutura. Também se dedica a fortalecer a prática de outros orientadores profissionais em todo o Brasil e no exterior.
O Instituto Viae é especialista em Orientação Profissional e de Carreira. Criamos ferramentas, formamos orientadores e ajudamos as pessoas a fazerem escolhas que tragam saúde mental.
💬 FAQ - Perguntas Frequentes sobre como contar sua história profissional
1. Por que é tão difícil falar sobre a própria trajetória profissional?
Porque a maioria das pessoas não foi ensinada a refletir sobre o que viveu, — apenas a seguir em frente para a próxima experiência. Sem esse exercício de reconhecimento, fica difícil dar sentido às experiências e transformá-las em uma narrativa. O bloqueio não vem de falta de conteúdo, mas de falta de prática em perceber o valor do que se viveu.
2. Como posso começar a contar minha história profissional, inclusive me preparando para entrevistas de emprego?
Comece listando suas experiências: — estudos, trabalhos, projetos e conquistas pessoais. Depois, anote o que aprendeu em cada uma e identifique os padrões que se repetem: o que te motiva, quais valores pessoais e habilidades aparecem. Essa reflexão ajuda a conectar os pontos e contar sua trajetória com mais clareza e segurança.
3. Como a Orientação Profissional pode ajudar nesse processo?
Um processo de Orientação Profissional oferece o apoio e as perguntas certas para te ajudar a reconhecer suas experiências, nomear suas conquistas e ganhar confiança para falar sobre si. No Instituto Viae, esse trabalho é feito com escuta profunda e estratégias criativas, método e propósito, — para que cada pessoa organize os seus objetivos profissionais e aprenda a contar a própria história de forma autêntica.








